Seus dentes caninos eram colocados no meu pescoço novamente.
Maldita vampira.
Ela me sugava toda noite… Eu tinha medo até de dormir. Sabia que ela iria aparecer de novo. Só que, desta vez, estaria preparado. Fiz uma estaca com um cabo de vassoura e peguei um martelo de carne da cozinha apaguei a luz e fiquei ali, escondido atrás da porta do quarto.
Eu estava suando muito e ficava pensando nas noites em que fui atacado e seduzido por está vampira.
Desde que a conheci eu nunca mais consegui dormir novamente.
Você sabe o que é ser sugado por onze anos? Onze anos indo a clínicas, fazendo exames, tratamentos médicos, pílulas, antibióticos…
Quase não conseguia sair mais da cama. Chamavam-me de louco, mas hoje ela iria pagar.
Estava certo que ela morreria esta noite. Minhas mãos tremiam, minha boca estava seca, meus olhos mal conseguiam manter-se abertos.
Chovia muito quando ouvi um barulho na janela. Isso não era comum. Ela nunca fazia barulhos. De repente escutei a janela sendo quebrada e logo em seguida ouço gemidos bem baixos.
Finalmente tomei coragem e olhei para ver o que estava acontecendo.
Era ela. Caída, com uma estaca no peito e cheia de sangue…
Larguei o cabo de vassoura e o martelo. Corri para ver o que estava acontecendo e coloquei-a em meu colo… Ela olhou para mim, chorando… Alisando meu cabelo, bem devagar, ela me disse, bem baixinho:
— Eu te amo!
Eu arranquei a estaca de seu peito e a coloquei em meu colo. Conforme as minhas lágrimas alcançavam seu corpo, uma fumaça tomava conta daquele lugar. E quando a fumaça parou, seu corpo já não existia mais…
Aquela noite foi longa…
— — —
Para saber mais sobre o autor Adriano Siqueira acesse http://contosdevampiroseterror.blogspot.com/
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Traí, simplesmente
Sim, no início morri de medo. Mas eu gostei. Traí porque o moço que me convidou pra jantar não usou a expressão "que tal meter um rango hoje à noite" e não fez qualquer menção ao Burger King. Pelo contrário, sabia exatamente como e onde me levar. Mesmo depois de tanto tempo, não negligencie o romance e o bom papo, ok? No meio do desgaste tem sempre alguém disposto a ajudar e fazer sua mulher de novo bonita, leve e única. Apesar dos quase trinta, ainda tenho fantasias e vontades que precisam ser atendidas. Sublinhe isso.
De repente eu vi uma oportunidade de escapar daquela atmosfera contínua e rançosa perto de você, que fazia eu cansar de mim mesma, e conhecer outros lugares, bocas, perfumes e também outras mulheres que dormiam profundamente dentro de mim. Optei por sonhar ao vivo e a cores, ser quem eu quiser. Com eles eu era sarcástica, risonha, esperta, sanguinária, alegre, sexy, moderna, livre ou manipuladora. Certas tardes, tudo ao mesmo tempo, no mesmo corpo, na mesma vida. Pela primeira vez quem ditava as regras era eu.
De repente eu vi uma oportunidade de escapar daquela atmosfera contínua e rançosa perto de você, que fazia eu cansar de mim mesma, e conhecer outros lugares, bocas, perfumes e também outras mulheres que dormiam profundamente dentro de mim. Optei por sonhar ao vivo e a cores, ser quem eu quiser. Com eles eu era sarcástica, risonha, esperta, sanguinária, alegre, sexy, moderna, livre ou manipuladora. Certas tardes, tudo ao mesmo tempo, no mesmo corpo, na mesma vida. Pela primeira vez quem ditava as regras era eu.
Você achar que foi por reles promiscuidade revela o que eu já sabia, você sabe nada sobre mim. Sou ligada na impulsão pelos meus prazeres. Traí para devolver a mim mesma o corpo que nasceu comigo e me foi roubado desde os primeiros anos de vida, como se eu fosse uma cachorrinha no cio que não podia escapar pelo portão sob o risco de regressar com uma matilha de filhotes.
Meninas também querem trepar, tome nota. E cadê sua mão de namorado esticada a me conduzir pelos caminhos que eu intuia a existência, mas eu não conseguia tatear, ouvir, lamber, gritar, abrir, interromper? Traí porque, ao invés de usar a intimidade que criamos para descobrir loucuras juntos, você a masturbava com piadas e ações escatológicas.
Também não foi por maldade ou esporte, mulher quando trai sempre tem uma razão coerente, embora eu não saiba exatamente qual é. Ausência de diálogo ou falta de atenção, carinhos, educação ou surpresas, tanto faz, já bastaria as vezes que você se esforçava sem medida pra me diminuir intelectualmente ou quando falhava ao esconder suas mentiras. Traí por birra, por vingança, por troco, por trocados.
No fundo sou boba, romântica e sonhadora e de vez em quando confundo determinada emoção com sentimento. Talvez por imaturidade, você pode me chamar de fraca ou eu até pode me encarar como um pouco fútil. Sim, eu podia ter me esforçado e resolver as coisas. Mas ninguém luta por aquilo que não deseja mais. Aqui entre nós, você nunca me perguntou sobre isso com medo de ter certeza da resposta.
Minhas traições não foram por falta de amor. Eu tenho amor. De amiga, de mãe, de irmã, de parceira ou qualquer tipo de compaixão que cultivo por qualquer ser respeitável nesse mundo. Me faltava um amor de homem. Não me cobre uma resposta coesa, sou mulher, ainda que tenha esquecido isso no vácuo entre você e eu. Por que não te larguei? Por medo de perder em ti a esperança de ter o homem que gostaria de ter. Confuso, mas como pode ver com seus próprios olhos cegos e fechados, álibis eu tenho de sobra.
Mas não se preocupe com a única coisa que realmente dá bola, que é sua reputação. Foi tudo um caso sem importância, sensações fugazes como se eu tivesse me enganchado na cauda de um cometa numa galáxia super distante. Não sei sustentar indefinições por muito tempo. E também sei que todos esses motivos não servem como desculpa, mas quem precisa se desculpar quando incomoda mais cárie do que culpa?
O moço do ônibus
Pegava o ônibus todos os dias, no mesmo horário, para ir ao trabalho.
Ao passar pela roleta, no primeiro banco, um moço bonito, loiro, de olhos azuis, olhava para mim sorrindo.
Tímido, foi se achegando aos poucos.
Já não sentava certinho, ocupava agora os dois lugares, ficando meio atravessado nos bancos, impedindo assim que outros sentassem.
Além do sorriso encantador, também me era oferecido um lugar para sentar.
Certo dia, precisamente num domingo, minha irmã convidou seu catequista para almoçar.
Ajudei-a nos preparativos e combinamos sair à tarde para dançar.
Qual não foi minha surpresa, quando minha irmã apresentou seu convidado.
Era “o moço do ônibus”.
Entre surpresos e admirados, ficamos nos olhando com cara de abobados.
Depois das apresentações, já refeitos do susto, seguiu-se um almoço agradável.
Mais tarde no salão dancei com vários rapazes.
Com “o moço do ônibus” dancei uma só marca.
Lembro-me até hoje, de seu jeito tímido e desajeitado convidando-me para dançar.
A música que tocava nada romântica, era de Silvio Brito.
Cujo título, se não me falha a memória, era “Farofa-fa”.
Encontramo-nos no outro final de semana, no baile dos “calouros”.
Agora sim, dançamos bem juntinhos, ou melhor, agarradinhos, até o amanhecer.
Ao passar pela roleta, no primeiro banco, um moço bonito, loiro, de olhos azuis, olhava para mim sorrindo.
Tímido, foi se achegando aos poucos.
Já não sentava certinho, ocupava agora os dois lugares, ficando meio atravessado nos bancos, impedindo assim que outros sentassem.
Além do sorriso encantador, também me era oferecido um lugar para sentar.
Certo dia, precisamente num domingo, minha irmã convidou seu catequista para almoçar.
Ajudei-a nos preparativos e combinamos sair à tarde para dançar.
Qual não foi minha surpresa, quando minha irmã apresentou seu convidado.
Era “o moço do ônibus”.
Entre surpresos e admirados, ficamos nos olhando com cara de abobados.
Depois das apresentações, já refeitos do susto, seguiu-se um almoço agradável.
Mais tarde no salão dancei com vários rapazes.
Com “o moço do ônibus” dancei uma só marca.
Lembro-me até hoje, de seu jeito tímido e desajeitado convidando-me para dançar.
A música que tocava nada romântica, era de Silvio Brito.
Cujo título, se não me falha a memória, era “Farofa-fa”.
Encontramo-nos no outro final de semana, no baile dos “calouros”.
Agora sim, dançamos bem juntinhos, ou melhor, agarradinhos, até o amanhecer.
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